
as margens
não saem
do canto.
foice o tempo.
circulo
o
círculo
e fico
no
circo
lou
co
e só
no oco.
o pó a voz
o doce e lento
lampejo da memória
o corpo a cor
o leve e louco
mergulho da alma
o mesmo a outra
o vivo e antilúcido
terreno da carcaça
o toque a luz
o belo e sujo
descanso nas estrelas.

me aproximo da morte
com a velha faca do sol
atravesso
através
do avesso
e nunca saio do outro lado
acabo.

I
De novo
fazer um poema
na ciranda do tempo
na boca do povo
com lápis de cera
e bolas de gude
II
outra vez
com mãos de criança
dormir na varanda
com vento de infância
o rosto molhado
e os pés para cima
2º poema de Dula e Dalua
uew nefoiiojpaef jpopojwa m,
talvez saibam o que digo, tropeçando bêbado entre as luas e meus amigos. o ultimo vaga-lume se apagou. ah noite de noites. eu me arrasto pelas sombras com passos calmos. os gatos lambem a velha senhora morta. minha cabeça descansa sobre a pedra de jacó. caminho para o inferno e meus dentes se cobrem de azul, recriando os mitos. minha garganta, tua garganta. chuva doce chuva negra. ventos tropicais se escondem em meus cabelos e um fauno sorridente me apresenta dríades e a Deusa Orgia. eu tenho a fome das esquinas e o espirito de animais violentos. Poeta-Xamã louca vertigem do fogo. um jardim de olhos lava meus delírios. meus cigarros aparam o céu esta noite. o século pousa no sorriso do assassino que me acena. ah breve intervalo. deus coça minha barriga agressivamente e os olhos da menina-morte se jogam aos meu pés descalços. todos dormem e eu não tenho unhas para o absurdo. líquidos irreais me alimentam. o pão do sono me acompanha. meus amigos fazem sexo com o acaso e abraçam o diabo tenro da palavra nova. Uns trocados e as coxas abertas do amor.

eis um espaço aberto desrazão recuperada sombras de uma montanha densa sobre as palavras da incerteza passos calmos da amizade em grandes goles de cerveja novas percepções alteradas num ritmo intenso e desviante figuras de mudar o mundo dentro do nosso aquário peixes vivos e despertos na palma da mão do céu alegre, doce e discreto e sobre as cabeças o manto do afeto e a oração plantada no mar do amor e do diálogo.

.
nascer o ser
.
romper manhã
.
ave
.
andar com fé
ao léu
.
palavras
.
palavras não salvam
.
poiesis
.
um demiurgo
aguando as plantas
.
eu vi
.
um vôo
.
verei o sol
.
não-só
.
o corpo
.
a mente
.
o manto
.
um navajo
deixou mãe
.
o rio lavava
para longe
.
Campo Vasto

Cada Carne cada Alma cada coisa cada cada
Para o Lêmure
Para o menino-monge
Para o absurdo
Paratodostodastudos
I
Desconsumir
O desejo
Pleno pelo palácio abandonado
Do ego
Um vôo.
Sentado (o muro sabe das lembranças e finge que é Tempo)
Sobre a pedra (ou mesmo suspenso no espaço)
As pernas os braços o silêncio tudo vai tudo vai tudo vai.
E fica dentro bem rente ao coração alma espírito razão.
Luz dos olhos (desdesejo) e o TODO.
II
As sandálias a poeira
São dois
Caminhando.
E o mestre
(Comum, simples)
III
Eu e tu
Canto de Ossanha.
Canto de múltiplo pássaro irmão
Breve.
Canto de calma e desrazão.
Leve.
Canto de amor e afeto.
Todo Cântico
E as lamentações de Jeremias.
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