deus
dobra as esquinas
e cai.

.

o cio
o ócio

se roçando

.

meu dedo
come
teu medo
pelo começo

.

revolta
a porta
aberta

as margens

        não saem

do canto.

 

foice o tempo.

 

circulo
       o
círculo
e  fico
     no
  circo
      lou
     co
   e só
no oco.

:

polara
estrela branca do absurdo
menor de teus olhos

polara
coisa viva, cavalo-asa
no gozo
extremo da palavra

polara
brasa nova
calçada-temporal
da aurora

polara
breve, deitada
nas bordas
do insano.
cria concebe faz coisa desfaz ri e rói e sai e vem e zen e sem saber bebe
beleza
até parece que explode fazenda a cabeça até parece que canta lontra em vermelho até parece que coisa descoisa na areia até parece que vibra barriga
do caos até parece que santo descanso refaz até parece que lambe céu e ..
até parece até parece que mundo 0o0o0o0o0 oooo000o0 o0o0o0o0o até parece
atéparece atépare se até para ser.
 
Quem é o OUTRO?
De quem é o apartamento?
Alguém gosta de azul?
Vamos falar com deus?
A literatura está morta?
e nós?
e os nós?
e as nozes?
e os olhos?
Alguém TEM HORAS?
alguém
alguém
além
ali
no  bar?
AR
puro
piro- fagia?
o MUNDO?
 
silêncio é coisa de deus
e os santos tem pés ligeiros
eu vi minha mãe
terra
vertendo sangue de seus narizes
cheirando pó
como uma puta
 
eu vi silêncio
e deus se apartou
do breu
 
eu vi
 
foi no começo.
 
foi nu
e luz
de tudo
menos.

o pó a voz

o doce e lento

lampejo da memória

 

o corpo a cor

o leve e louco

mergulho da alma

 

o mesmo a outra

o vivo e antilúcido

terreno da carcaça

 

o toque a luz

o belo e sujo

descanso nas estrelas. 

me aproximo da morte

com a velha faca do sol

 

atravesso

através

do avesso

 

e nunca saio do outro lado

 

acabo.

I

De novo

fazer um poema

na ciranda do tempo

na boca do povo

 

com lápis de cera

e bolas de gude

 

II

outra vez

com mãos de criança

dormir na varanda

com vento de infância

 

o rosto molhado

e os pés para cima

 

2º poema de Dula e Dalua

uew nefoiiojpaef jpopojwa m,

talvez saibam o que digo, tropeçando bêbado entre as luas e meus amigos. o ultimo vaga-lume se apagou. ah noite de noites. eu me arrasto pelas sombras com passos calmos. os gatos lambem a velha senhora morta. minha cabeça descansa sobre a pedra de jacó. caminho para o inferno e meus dentes se cobrem de azul, recriando os mitos. minha garganta, tua garganta. chuva doce chuva negra. ventos tropicais se escondem em meus cabelos e um fauno sorridente me apresenta dríades e a Deusa Orgia. eu tenho a fome das esquinas e o espirito de animais violentos. Poeta-Xamã louca vertigem do fogo. um jardim de olhos lava meus delírios. meus cigarros aparam o céu esta noite. o século pousa no sorriso do assassino que me acena. ah breve intervalo. deus coça minha barriga agressivamente e os olhos da menina-morte se jogam aos meu pés descalços. todos dormem e eu não tenho unhas para o absurdo. líquidos irreais me alimentam. o pão do sono me acompanha. meus amigos fazem sexo com o acaso e abraçam o diabo tenro da palavra nova. Uns trocados e as coxas abertas do amor.

 

eis um espaço aberto desrazão recuperada sombras de uma  montanha densa sobre as palavras da incerteza passos calmos da amizade em grandes goles de cerveja novas percepções alteradas num ritmo intenso e desviante figuras de mudar o mundo dentro do nosso aquário peixes vivos e despertos na palma da mão do céu alegre, doce e discreto e sobre as cabeças o manto do afeto e a oração plantada no mar do amor e do diálogo.

.
nascer o ser
.
romper manhã
.
ave
.
andar com fé
ao léu
.
palavras
.
palavras não salvam
.
poiesis
.
um demiurgo
aguando as plantas
.
eu vi
.
um vôo
.
verei o sol
.
não-só
.
o corpo
.
a mente
.
o manto
.
um navajo
deixou mãe
.
o rio lavava
para longe
.
Campo Vasto

 

Cada Carne cada Alma cada coisa cada cada

 

Para o Lêmure

Para o menino-monge

Para o absurdo

Paratodostodastudos

I

 

Desconsumir

O desejo

 

Pleno pelo palácio abandonado

Do ego

 

Um vôo.

 

Sentado (o muro sabe das lembranças e finge que é Tempo)

Sobre a pedra (ou mesmo suspenso no espaço)

 

As pernas os braços o silêncio tudo vai tudo vai tudo vai.

E fica dentro bem rente ao coração alma espírito razão.

 

Luz dos olhos (desdesejo) e o TODO.

II

 

As sandálias a poeira

 

São dois

Caminhando.

 

E o mestre

(Comum, simples)

III

 

Eu e tu

 

Canto de Ossanha.

 

Canto de múltiplo pássaro irmão

Breve.

 

Canto de calma e desrazão.

Leve.

 

Canto de amor e afeto.

 

Todo Cântico

E as lamentações de Jeremias.

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